quarta-feira, janeiro 05, 2011
sexta-feira, setembro 10, 2010
A tal da TPM
Se você é um homem, sei que não entenderá patavinas deste relato. Mas fique atento, ele pode conter informações valiosas.
Se você é mulher, dá cá um abraço irmã. “Tamu junto” nessa roubada da mãe natureza!
Todo mês, lá vem ela, sorrateira...
Está lá você, seguindo seu dia na sua e de repente uma raiva do além invade seu ser, quando aquele babaca infeliz, simplesmente decidiu dirigir a palavra a você.
Babaca infeliz: “Hello. How are you?”.
Você – em pensamento, obviamente: “Dá para calar essa boca, cretino?”.
Neste momento, me sinto igual ao pateta quando pega o volante, sabe? (se ainda não viu, confira aqui). É como se me transformasse em um monstro do mal, de um segundo ao outro.
Sinto dizer, mas tal sentimento é simplesmente inevitável.
Durante mais ou menos uma semana, é como literalmente conviver com uma montanha-russa. E eu, que tenho medo de altura, posso dizer que realmente não é nada agradável em um momento ter vontade de chorar com um comercial bobo de TV e no momento seguinte, querer matar o FDP que esbarrou em você no metrô.
Trabalhei em uma equipe, uma vez, formada por mulheres em sua maioria. Certo dia, conversando sobre as benditas três letrinhas, um dos caras me solta a pérola:
“Mas eu nunca entendi, o que é TPM afinal?”. Detalhe muito importante, ele namorava há 9 anos. Como um relacionamento pôde durar tanto tempo sem que ele soubesse a resposta a essa pergunta, juro, que para mim é uma incógnita.
De verdade, se você é homem, precisa saber o que é TPM e mais ainda, saber o que fazer – e o que NÃO fazer – quando alguma mulher próxima a você estiver passando por estes dias tortuosos.
Regra básica. NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, pergunte para uma mulher de TPM: “Tá de TPM, né?”.
Se você teme pela sua vida e for esperto o bastante, vai colocar na sua agenda, em letras garrafais, de preferência, estes dias específicos.
Uma amiga minha, recentemente me disse:
“Nossa, depois que ele aprendeu a lidar comigo neste dias, nossa relação melhorou 100%. Ele sabe a data melhor do que eu até.”
Sim, a gente fica mais sensível – tanto no corpo, como na mente –, mais chorona, mais chata, mais dramática, mais rebelde, mais nostálgica, mais inchada, mais irritada, mais carente, mais cansada, mais ansiosa e como se não bastasse, aliens, também conhecidos como espinhas, decidem habitar nossa face...
A minha tem piorado consideravelmente com o tempo e todo mês é a mesma ladainha, eu brigando com o monstro que se apossa de mim e com o mundo ao meu redor.
É verdade que nem toda mulher sofre deste mal – Lucky bastards! – e que existem mil dicas de como aliviar a maledeta, porém para mim, o que funciona mesmo é: como tartaruga que se esconde em seu casco ao sentir-se ameaçada, é ficar um pouco mais reclusa, até que a tormenta passe, afinal, aquele babaca infeliz não tem tanta culpa assim, rs.
terça-feira, agosto 31, 2010
Amor ou Amizade?
Recentemente recebi a indicação de um livro, que inclusive tá morando ali “Na cabeceira” deste recanto; “Uma história do amor... com final feliz”, do médico psiquiatra Flávio Gikovate.
Já sei o que você está pensando: “Que estranho, a Carol falando de um livro auto-ajuda”?
Não! E sim!
Não, porque apesar da leitura sim remeter à seção das livrarias que muitos intelectuais dizem fugir, não sei exatamente qual a classificação deste livro.
E sim! É sobre o conceito de +amor, nele retratado, que venho por meio deste post falar...
A minhas últimas relações – amorosas ou não – muito me puseram a pensar. É fato, não sei gostar de alguém mais ou menos, ou gosto ou não gosto. E se gosto, gosto intensamente, com cuidado e atenção, bem característico de uma capricorniana com seus “eleitos”.
Mas com tanta intensidade, perder a medida acaba sendo muito fácil, e o que era para ser suave e tranquilo, pode acabar tornando-se obsessivo e levar a tão temida dependência emocional.
Refletindo sobre mim mesma e observando as pessoas próximas a mim, uma frase ultimamente não sai da cabeça:
“Por que será que é tão difícil as pessoas se relacionarem (BEM)?
Voltando ao livro...
Nele, Gikovate ressalta que fomos criados com a idéia da “alma gêmea”, da “metade da laranja”, do “par perfeito”, que assim que encontrado, nos dará a tão sonhada sensação de completude. E que é a partir deste “reencontro”, que o final feliz dos contos de fada é possível.
Pergunta importante: Quem acredita em príncipe/princesa encantado (a) põe o dedo aqui, que já vai fechar?
Fiz essa pergunta em sala de aula, recentemente, e para meu espanto, recebi algumas respostas afirmativas; de novo, vi corroborada esta idéia de que o amor e a felicidade estão sempre relacionados a um outro alguém.
Mas como pode nossa PRÓPRIA felicidade depender da vontade alheia? Isso significa que se um belo dia a outra pessoa acordar e dizer: “Cansei!”, este nosso estado de espírito de contentamento se vai ladeira abaixo?
Estar longe de casa me fez precisar ser muito independente do mundo, afinal, se não fizesse as coisas por mim mesma, tinha certeza absoluta que nenhuma outra boa alma as faria... Sendo assim, aprendi a fazer muitas coisas sozinha, coisas que mais de 90% das pessoas que conheço acham no mínimo estranho de se fazer sem estar acompanhada.
Se sincronizar a agenda com os amigos for impossível, não me importo de fazer o que estou a fim de fazer, mesmo que não tenha companhia para isso; vou ao cinema, baladas, shows, parques, restaurantes, qualquer lugar. Por que não satisfazer as minhas vontades só porque fulano ou sicrano não podem estar ali comigo?
Isso é MUITO natural para mim, mas toda vez que converso sobre isso com pessoas que não me conhecem muito bem – ou mesmo as que conhecem – percebo que elas não acham isso muito normal não. Sempre recebo aquele olhar típico de estranheza.
Mas não posso evitar, também sou adepta do “Antes só do que mal acompanhada”, mas apesar de para mim ser bem óbvio não querer estar perto de pessoas que não tenham sintonia comigo, ao dar uma olhadinha no que se passa no mundo, é muito comum encontrar relacionamentos entre pessoas em que é nítido a falta de afinidade e carinho.
Muita, muita gente mesmo prefere estar ali com seu parzinho torto do que curtir o que se quer fazer sozinho. Juro, está além da minha capacidade entender isso.
Assim como não consigo entender essa idéia de que os “opostos se atraem”. Não sei você, mas eu não dou conta de estar muito perto de pessoas que pensem tão diferente de mim. Ao olhar meus amigos e as pessoas próximas a mim, só consigo ver similaridades, o fato de serem parecidos comigo é que dá vontade de estar junto, conversar, compartilhar idéias, coisa que é praticamente impossível com pessoas opostas.
O filme “Into the Wild” tem uma frase que ficou martelando para sempre na minha cabeça:“Happines is only real when it’s shared”.
Concordo que encontrar um rosto familiar para dividir com você aquela situação engraçada, cantar junto com alguém a sua música preferida aos berros e ter com quem comentar o final do filme é realmente muito bom, no entanto, o “only” aí da frase é que não se encaixa.
Compartilhamento certamente é a palavra que para mim melhor define as BOAS relações. Cada um traz o seu pacote de vivências e experiências e juntos, vão compartilhando e não completando. É no equilíbrio que mora a harmonia.
Por isso, o conceito de +amor do Gikovate me pareceu tão lógico. Chega dessa ideia do amor como fonte de alívio para as dores individuais; assim como nas amizades, os amores precisam ser relações livres, sem cobrança, sem dependência, suaves, porque estar junto é bom e não mandatório.
E você, o que prefere? Amor ou Amizade?
PS: este post é fruto de muitas conversas com Tássia Nascimento, Léia Carvalho, Walkíria Patelli e Vanessa Lima. Então, divido o crédito das ideias com elas :)
domingo, agosto 22, 2010
A Saga da Lente- Parte II (Final)
O processo é o seguinte, cada lente é feita para durar 1 mês, cada caixinha vem com 6, então, durante 6 meses o máximo que tenho que fazer é garantir que quando eu viaje ou não durma em casa leve uma extra para garantir qualquer imprevisto – não que sempre tome este cuidado, mas tudo bem.
Eis que há umas 3 semanas, enquanto ainda estava de férias, abri a minha última pensando: “Quando voltar para São Paulo preciso comprar, já não tenho mais nenhuma de back up e isso pode dar merda”.
As férias acabaram, as semanas passaram e eu continuei me conectando todos os dias fazendo sabe-se Deus o quê, porque comprar as lentes que é bom, NADA.
Até que...
Quarta-feira passada, eu em aula, sentia que um cisco gigante tinha possuído meu olho, pelo visto perceptível, porque uma aluna falou:
– Nossa teacher, você tá com conjuntivite? Seu olho está muito vermelho.
Ao sair da aula, em completa agonia, meus olhos pareciam estar em chamas. O caminho para casa foi eterno, quando finalmente consegui me livrar da maledeta, tudo o que pensei foi:
“Tô ferrada!”.
Na manhã seguinte, assim que acordei, sem lente mesmo, corri para acessar o site e comprar as benditas, com sorte, daria tempo de postar naquele dia ainda. Comprei e liguei, por via das dúvidas, só para me acalmar.
Pessoa da ótica: – Qual lente você precisa? ...Ah, então, essa lente eu pedi, deve chegar no começo da semana que vem.
Eu, em completo desespero: – Semana que vem? Moço, eu tô precisando muito.
Pessoa da ótica, com calma (irritante) extrema: – É por isso que a gente indica a compra com antecedência.
E eu, em pensamento, amaldiçoando a minha décima quinta geração, “Antecedência? Tarde demais meu amigo. Eu estava ocupada demais atualizando as 950 mil redes sociais das quais faço parte”.
Quinta-feira: 1º dia na vida a sair de casa sem lente ou óculos.
Objetivo: Chegar em casa são e salva no final.
Destino: Terapia, do outro lado da cidade. Digamos que sua terapeuta dizer “Que falta de cuidado consigo mesma, hein” não ajuda no processo.
Depois aula, também do lado oposto. Não enxergar o que aluno aponta em seu livro é um tanto embaraçoso. “Teacher, o que significa isso aqui?” e tudo o que você vê é um bando de letrinhas dançando enlouquecidas e você não tem a melhor idéia do que significam, exatamente porque não consegue ao menos identificar do que se trata! Oh gosh!
Humor: Levemente alterado, mas a mente ainda me dizendo “Calma, agora não adianta perder a paciência, a errada foi você, agora aguenta”.
Sexta-feira: Dia de folga. Sem grandes traumas.
Sábado: 6 aulas. Alunos novos e não-visão é uma combinação perigosa, mas... sobrevivi.
Aniversário. Certo, quando você vai do lado oposto do lugar que deveria ir durante a noite, sem enxergar nenhuma placa a coisa pode ficar complicada, mas nada que vários reencontros deliciosos não apaguem o trauma inicial.
Balada. Ow, ow, lugar escuro, luzes piscando e fumaça exigem um apelo desesperado às amigas “Por favor, vocês são os meus olhos essa noite, não me deixem fazer nenhuma besteira!”.
Domingo: Bienal. Certo, livros e visão são duas coisas quase que sinônimos, né? Neste dia, meu humor começou a decair, nada me irrita mais no mundo do que ver somente borrões e justo no templo da literatura, não, não, não. Foi demais para mim.
Segunda-feira: Terapia de novo. Aula de novo. Humor indo ladeira abaixo.
Terça-feira: Telefonema desesperado para a ótica. – Vocês já receberam?
– Acabou de chegar moça, vai para você amanhã por motoboy.
E com a esperança, fiquei um pouco mais felizinha, porém, rinite, olhos ardendo e aulas não são compatíveis, neste dia, o meu mantra foi: “Hoje eu só quero que o dia termine bem”.
Quarta-feira: E eu parecia cachorro em frente à vitrine de padaria a cada vez que ouvia da janela o som de uma moto se aproximando, a tarde chegou, o dia passou... e nada.
Novo telefonema: – Então, vocês mandaram por motoboy ou pelo correio?
– Ai moça, onde você mora é longe, né? Vai pelo correio.
Perdão pela palavra, mas PQP! Neste momento, eu estava para bater a cabeça na parede de tanta agonia.
Dormi cedo, para o dia chegar mais rápido.
Quinta-feira: 13h. Campanhia toca, Correio!
– Graças a Deus que você chegou moço. Você não sabe como eu estava esperando por isso.
Ao pegar a caixinha, logo percebi que algo não estava certo, afinal, o pacote era pequeno demais para a minha encomenda. E... não deu outra, pedido entregue errado.
E de novo, eu ligando na ótica:
– Nossa, não acredito que entregaram errado, eu vou te recompensar, vou te dar várias coisas extras, pode deixar, amanhã eu mando via motoboy para você.
– Amanhã? Peloamordedeus, qual o endereço de vocês? Eu vou aí buscar!
Centro de São Paulo, ao sair do metrô Anhangabaú o meu desespero se acentuou consideravelmente, apesar das indicações, não fazia a menor idéia de como chegar ao lugar, e ao perceber que não conseguia ler a placas da rua, meus olhos se encheram de lágrimas e de verdade, quase comecei a chorar.
Como sou adepta do “Quem tem boca vai a Roma”, então, perguntei para as pessoas que trabalhavam ali, como fazer para chegar, incrivelmente NINGUÉM conhecia o bendito endereço!
Dentro de mim, a agonia crescia sem parar: “Meu Deus, não é possível isso, não acredito que não vou conseguir chegar”. Peguei o celular:
– Estou em frente ao Teatro Municipal, como faço para chegar aí?
Com muita fé, finalmente encontrei o tal lugar. E não sei se consigo descrever a sensação de alívio e alegria que senti quando coloquei a lente e pude voltar a ver novamente. Saí de lá como a pessoa mais feliz do mundo, olhando as placas, anúncios e letreiros e completamente extasiada por enxergar até as letrinhas miúdas.
Se na vida a gente colhe o que se planta, digo que dessa vez aprendi minha lição:
“Eu, Carolina Marques, prometo nunca mais deixar faltar a lente de cada dia, amém!”.
sexta-feira, agosto 20, 2010
A Saga da Lente- Parte I
Aos 12 anos descobri que precisava usar óculos, para uma pré-adolescente na sexta série isso pode parecer traumático, mas na verdade, eu nem ligava, achava o máximo voltar a ver as letrinhas aparecendo no quadro verde da escola, de qualquer canto da sala.
Lembro de uma reportagem da revista “Atrevida” que mostrava “Qual formato de armação combina mais com seu rosto” e de ficar horas analisando a que mais se encaixava com o meu, antes de comprar o primeiro.
Antes que alguém me pergunte, aí vai o diagnóstico:
D: Astigmatismo e Ceratocone – este último só pode ser corrigido com transplante de córnea, o que devolveria somente 60% de visão dos 40% hoje existentes e pode ser agravado durante a gravidez. Grau inalcançável.
E: Miopia. Grau 3,5.
Uma vez que estes dois olhinhos adicionais tornam-se seus companheiros diários, é um caminho sem volta. Armações bonitinhas + lentes anti-reflexo podem custar uma fortuna, então essa perguntinha maledeta “Você não tem um óculos reserva?” é uma afronta ao meu saldo bancário, ok?
Ao longo dos anos, tive muitas idas e vindas ao oftalmo, numa delas, um ser convenceu minha mãe a comprar uma lente (dura) de contato, que há 10 anos custava R$500, ou seja, uma verdadeira fortuna.
O treco apertava meus olhos de um tanto, que tudo que eu conseguia fazer era chorar com aquela coisa. Resultado: lentes esquecidas nas profundezas de uma gaveta e eu ainda de óculos.
Mais tarde, já em São Paulo, um outro ser iluminado me fez a mesma proposta:
“Por que você não faz um teste de lente?”.
Eu, com uma cara de pavor, só conseguia balançar a cabeça negativamente, tamanho o trauma da primeira tentativa.
Ela insistiu: “Mas você pode usar lente gelatinosa para miopia, testa”.
Na minha mente, a relação foi imediata: gelatina = a coisa mole que não aperta. Perfeito!
E assim, passei a usar lente de contato, sim, é singular mesmo, porque só uso em um olho, lembra?
E devo confessar que é uma coisa linda viu, a minha maior alegria foi poder usar óculos de sol, afinal, para uma pessoa com olhos fotossensíveis não poder se proteger da luz é triste, sempre com cara de quem comeu e não gostou franzindo a testa, feio!
Ah, isso me remete a uns óculos que tive com dupla função.
Como assim?
Ele tinha lentes escuras removíveis, que se acoplavam aos óculos por uns imãs nas pontas, resumindo, ficava RI – DÍ – CU – LO.
****
Continua...
PS: fotinho de óculos para relembrar.
sexta-feira, julho 16, 2010
Presentinho
Inté!
quinta-feira, março 05, 2009
Cotidiano
Uns dos primeiros posts deste blog foi sobre o Trem. Eu, então morando na Zona Sul de São Paulo, me revoltava diariamente com este meio de transporte nada confortável em horários de pico.
Mudei.
Estou do outro lado da cidade agora: Zona Norte. Mas o destino diário continua o mesmo: Vila Olímpia.
E daí?
Se você conhece um pouco esta selva de pedra saberá que estes dois lugarzinhos estão em lados opostos, e daí que os 40 minutos- sendo 20min de caminhada + 20min de trem- do trajeto de casa ao trabalho se transformaram em 2 horas.
Sim, isso mesmo, 2 horas de ônibus, metrô, ônibus e muito trânsito.
É bem suave...
O primeiro ônibus da ida é sempre muito lotado, mas tudo bem, são apenas 13 minutos até a estação, não dói tanto. Durante o trajeto vou me atualizando sobre o que acontece no mundo, ouvindo a Band News FM, enquanto uma topeira que vai descer no mesmo ponto que eu, já que o destino de 99% das pessoas que estão ali é o mesmo, tenta passar na frente de todas as outras para chegar primeiro até a porta.
Vai entender...
Ao entrar na estação, o relógio aponta 8:06am, é quase cabalístico, se o número for maior que isto ferrou. Perderei o próximo bus certamente. É tudo milimetricamente calculado, um cremezinho ou um celular esquecido na hora de sair de casa podem comprometer tudo.
Antes de morar em Sampa, quando vinha para cá visitar minhas amigas, sempre me perguntava como elas sabiam exatamente onde ficar e em que parte do vagão as escadas ficavam, eu achava aquilo mágico. Mas com o tempo a gente aprende algumas coisinhas.
O painel indica de qual lado sairá o próximo trem- apesar de chamarmos de metrô, lá diz trem, minha amiga Léia sabe a diferença de um e de outro, mas agora estou com preguiça de perguntar, rs-, saio sempre em direção oposta à indicação, porque é para ela que aquelas centenas de pessoas que estão passando pela catraca com você vão correr.
E para o último vagão vou eu, local estratégico para a saída. Um amontoado de gente fica ali, esperando a chegada daquele bicho enorme que sai do buraco para levá-los.
Uma pessoa atrás da outra, como se fosse uma fila certo?
NÃO, nada disso. Você chega educadamente e se coloca atrás da última pessoa que avista, esperando tranquilamente quando um ser vindo do nada se aproxima e se posiciona lá na frente, em primeirão criando uma nova “fila” imaginária, a despeito de quem estava bonitinho, antes dele.
Isso me dá um ódio. Faço uma cara de indignação, mas aparentemente, isso não inibe ninguém.
A entrada é magnífica. As pessoas se movimentam junto com o metrô, tentando “se” encaixar à porta, e aquela pessoinha furadora de fila do mal, quase sempre é a primeira a entrar. Hunf.
Todos se amontoam e aquele infeliz que está ao lado esquerdo de dentro que se ajeite, empurre, grite e tente sair.
Aí vem o mais lindo, o momento baratístico do dia, o efeito Detefon: As pessoas entram, vão para um lado, depois para o outro, giram e só então se sentam ou se dirigem para algum outro lugar, deixando quem está atrás, completamente tonto tentando passar.
Nessa, além de enjoado você ficou sem lugar e o único disponível é aquela coisa cinza, conhecida como assento reservado.
Sentar ali é uma questão de coragem. Apesar de a sinalização dizer que o uso daquele espaço é livre quando idosos, deficientes e mulheres com crianças de colo não estão presentes, é possível sentir o olhar alheio de indignação e repressão ao te ver sentado ali.
A cada abertura de porta rola uma tensão e um olhar atento aos que entram para garantir que você levantará antes de apanhar caso o “dono” daquele lugar adentre.
Algumas estações depois está tudo completamente lotado e você já começa a traçar a estratégia de como ultrapassará todos os obstáculos para ir de onde está até a porta.
Um “licença” aqui, outro ali e aquele maledeto mochileiro- pessoa que anda de mochila nas costas- de fone de ouvido, não te dá a menor pelota e não te deixa passar.
Freio.
Todos para o mesmo lado, desencaixando um pouco e você, com esforço, consegue transpor a barreira dando um “leve” empurrãozinho no infeliz.
Porta!
Acabou?
Não, calma, que pressa é essa? Os porteiros- pessoas que não saem da porta de jeito nenhum, mesmo sabendo que só descerão dali a 7 estações- estão todos ali a sua frente. Sem esboçar o menor sinal de movimentação ao te ver plantada olhando deles para a porta, da porta para eles.
Nessa hora, você apela para todos os santos te controlarem para não sair esmurrando todos e chegar ao trabalho sem antes dar uma passadinha na cadeia mais próxima.
Vencida a segunda etapa, você corre, literalmente, para a derradeira, corre porque o bus está já está no ponto e se você não sair atropelando todo mundo, descendo 2 lances de escada feito louca segurando a bolsa e atravessando a rua, não tão cuidadosamente como deveria, você vai perdê-lo e amargar 30 minutos de espera baixo um sol do sertão.
“Bom dia” para o motorista, “bom dia” quase inaudível para o cobrador-aquele maldito que não te acordou outro dia e fez você ir até o ponto final mesmo quando TODAS, TODAS as pessoas descem no mesmo ponto que você, TODOS OS DIAS.
Lugar cativo de sempre, ao lado do maldito, mas fazer o quê, é o que tem mais espaço para os pés e perfeito para um soninho.
50 minutos de sacode, lotação, calor, túnel, túnel e túnel depois, mais uma caminhadinha rápida e avisto a agência.
Finalmente!
Agora é esperar 6:30pm e fazer tudo de novo, só que ao contrário.
Ai ai...
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Coisas (bobas) de sexta-feira
- Dar risadas lendo tirinhas entre um e-mail e outro e repassar para os colegas ao lado rirem também.
- Receber o box da tão esperada 4ª temporada de Lost e ficar feliz toda vez que lembra que ela está na bolsa.
- Colocar Quem Quer Ser Milionário? no pen drive sem tirar um centavo do bolso.
- Esquecer- de novo- de tomar a bendita vacina contra alergia.
- Fazer a programação de filmes para o final de semana.
- Visitar os blogs da galera e notar que muitos ainda desfrutam o carnaval.
- Receber um convite para visitar uma amiga em Buenos Aires.
- Querer que o próximo feriado chegue muito, muito rápido.
- Participar da festinha de aniversariantes do mês, no trabalho com bolo e doces, alívios para a TPM.
- Torcer para o fim do expediente chegar depressa.
- Tentar resolver aquela pendenga pela quadrilionésima vez: − Agora vai!
- Querer dar uma escapulidinha antes de chegar em casa, assim, sem rumo certo.
- Ver o fim de semana chegar...
quarta-feira, outubro 15, 2008
quarta-feira, outubro 08, 2008
Diferentes mundos
Final de semana com amiga de fora em casa, amiga que pertence a este mundo e que dele não quer sair.
São Paulo tem o Museu do Ipiranga, o Terraço Itália, o Teatro Municipal, o Mercado, a Pinacoteca, o Zoológico, a Av. Paulista, estes e muitos outros lugares para turistas e não turistas ver.
Sexta-feira- a escolha? Shopping Market Place.
Durante a espera, casais, crianças correndo para cá, crianças correndo para lá, e não pude evitar lembrar um comentário que uma amiga me fez recentemente e que me assustou profundamente.
− Elas correm e os pais não se preocupam porque este é o quintal da casa delas.
Meus deus! Como o templo do consumo pode ser como a casa destas crianças? Mas é. Final de semana e poderiam estar sujando a roupa andando de bicicleta, brincando de pega-pega ou fazendo coisas que qualquer criança faz para se divertir, mas o vizinho é de concreto e muito mais atrativo, então, por que não deixá-las arrumadinhas, aprendendo desde cedo o melhor lugar para comer e comprar? Estranho...
Depois....
Comida boa, companhias agradáveis, muitas risadas.
Sábado- O que quer conhecer?- pergunto.
− Ah, não sei, o que tem para fazer?- responde a amiga.
Dou todas as opções citadas antes e...
− É que de verdade estou com preguiça, é longe, né?
“ Tudo em São Paulo é longe...”
− Ah, então vamos só comer e ver um filme.
− Ok, onde?
− Preciso comprar um vestido, podíamos ir a um Shopping e fazer tudo ali mesmo, o que acha?
“ Ah, nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao!”.
Shopping Iguatemi, lá vamos nós.
Um trajeto que nos custaria no máximo R$2,40 cada de bus, sai por umas 30 vezes mais. Mas nada como o conforto de um táxi. Não é mesmo?
Juro que não consigo entender como as pessoas podem achar graça em ficar andando de um lado para o outro, muitas vezes, sem a menor intenção de comprar.
Enfim, não suporto Shoppings!
Procura vestido daqui, procura vestido dali, entra em uma, duas, três, quatro, muitas, muitas lojas e nada.
A cada nova loja as etiquetas pareciam aumentar. 500, 1.000, 2.360 reais? O quê?? O quê??? É só um pedaço de pano e feio ainda por cima! Senhorrrr!
Já exaustas, desistimos do cinema, compramos filmes e voltamos para casa. UFA!
A escolha não podia ser mais perfeita para o momento: sábado à noite, frio, chuva incessante e dois filmes tipicamente femininos.
Depois de querer me jogar prédio abaixo com o primeiro, o segundo era propício: “O diabo veste Prada”.
Até a “feinha”, “desajeitada” corrompida pelo glamour do mundo fashion e dos estilistas renomados?
“Ahhh, não, aaah, nãoooo! Preciso dormir!”.
Domingo.
Convite de outra amiga para almoçar. Onde? Onde?
Shopping Cidade Jardim, claro!
O templo mor da cidade de São Paulo, onde só os funcionários entram a pé e que uma simples voltinha para conhecer o novo “point” não sai por menos de R$40,00.
“O que estou fazendo aqui?”.
Almoço na Casa do Saber pensando “ai que saudade da comida da minha mãe”.
Sessão de meninas no cinema.
− Novo filme do Richard Gere?
“Ai meus hormônios!”.
− Ok!
− Acho que deve estar passando na sala VIP- diz a amiga.
“Aquela das poltronas reclináveis, master confortáveis, da pipoca com azeite trufado levadas até o seu lugar e que custa duas vezes mais que uma sessão normal??????”
− Tudo bem- Sorrio amarelo.
Mas o lado bom de ter amigas de um mundo paralelo é não gastar um centavo no próprio bolso e lá fomos nós.
− Este é o máximo de um domingo à tarde para mim- diz a amiga, ajustando sua poltrona.
Não dá para negar que é o máximo realmente, tudo que você sempre quis em um cinema é esticar a perna confortavelmente como se estivesse em casa. Mas será que vale tudo isso mesmo?
O filme? De chorar até morrer e de sair querendo dizer “eu te amo” para todo mundo que realmente importa na sua vida, antes que não estejam mais aqui para isso.
Anda, anda, anda, anda, anda, anda...
Lojas, lojas, lojas, lojas...
Amiga compra, compra, compra...
Eu sentada esperando, pensando “ai podia estar tomando um cafezinho, dando risada de boa nessas horas”.
Pessoas passam, casais passam, gringos passam, muita gente passa.
Daslu homem, Daslu mulher.
Valentino R$4.600,00 reais “não é aquele estilista do filme de ontem?”, sapato x R$2.600,00, camisa branca básica R$350,00 “Nossa, a Tantan faria uma dessa por menos de trintinha, fácil”.
− Ai, porque só vou vir aqui agora, não podia ter encontrado ela aqui- passa a mega patilene falando para amiga sobre a gerente da loja.
Não consigo conceber uma pessoa toda by Daslu, é muito para minha pobre, literalmente pobre, cabeça.
“Quero brigadeiro de panela”. Eu olhando para o manequim. “Na minha casinha”.
Para terminar.
− Vamos entrar na Tiffany, nunca entrei em uma- a amiga novamente.
− Ok!
− Olha, com este anel poderia comprar 3 carros do que você quer- digo.
− Fiquei deprimida agora, vamos sair daqui- responde a amiga.
É, este é um mundo ainda mais restrito.
Balanço do final de semana:
- É muito bom estar com gente que a gente gosta, mesmo quando essa gente é de um mundo diferente e quer visitar lugares de seu mundo.
- A futilidade e superficialidade deste mundo me assusta cada dia mais.
- Nada como as coisas simples da vida para te deixar feliz. O resto, é valor, nem sempre, agregado.
- Tudo sempre tem um contraponto.
segunda-feira, julho 07, 2008
Vida na Cidade Grande...
Todos os dias me ponho a observar a multidão.
Cotovelada daqui, empurrão dali, o mar de gente luta para se libertar e descer naquela estação, o segundo round, na saída do trem.
O primeiro, as estas alturas já foi vencido bravamente, o paradoxo daqueles que tanto se esforçaram para entrar, e que agora, brigam para sair.
Sai um, dois, três, quatro, cinco...dez, cinqüenta, cem. Caramba, quantas pessoas ainda podem sair dali?
Muitas!
Olho para trás. Que coisa, agora há muito espaço no trem.
Escadas rolantes abarrotadas.
Em um movimento ensaiado, todos sobem, inquietos, ansiando pelo encontro com as catracas.
Marcham.
Engravatados com suas mochilas, moças de salto alto, serventes, ah, tem também a moça do black estiloso.
Ufa, saímos!
Na entrada da estação lá estão eles.
Figuras diárias.
Tem a tia que vende gorros, cachecol, luvas e coisas quentinhas de inverno.
Tem aquele moço do panelão. Mete a concha lá dentro, põe no copo, mas que diabos de meleca é aquela?
Dias de observação... e finalmente, eeeca, canjica!
Mas não é que sempre tem gente esperando para pegar a sua?!
Mais adiante outro tabuleiro: bolos, pães, garrafa térmica.
Café da manhã do pedestre paulistano.
Barraquinhas por todo o caminho.
No semáforo. Verde.
Recomeça a coreografia, sob a faixa de pedestres, e alguns metros além dela, centenas de pessoas correm para atravessar a rua.
Vermelho. Parar?
Não, não. A multidão continua a andar, todo segundo é precioso. Nada que um sinal vermelho e alguns carrões possam deter.
Lá vai a X5!
— Nooossa, bom dia morena!
Sempre tem um engraçadinho.
Carros se enfiam nas calçadas, insandecidos por aquela vaga preciosa no concorridíssimo estacionamento.
Fumaça. Isso me deixa maluca!
Pessoas bem vestidas, perfumadas, com carinhas de que tomaram um banhinho antes de sair de casa, mas com aquele cigarro nojento dando baforadas de fumaça nos transeuntes que estão atrás.
Iiiiiiiiiiilll
Tão bonitinho com essa coisa na mão!
Torço o nariz.
Na hora do almoço:
Visita a lotérica.
Lotada.
Visita a farmácia.
Lotada.
Visita a padaria.
Lotada.
Lotado.Lotado.Lotado.
Tudo na Vl. Olímpia é lotado!
Da janela do escritório dá para ver as máquinas trabalhando.
Mais um edifício, entre tantos, nascendo em meio ao ambiente já caótico.
Aonde isso vai parar senhor?
18hs.
Movimento contrário.
Ônibus fretados. Destinos variados.
Barraquinha de doces.
Barraquinha de bolsas.
Carrão na calçada.
Gente nas ruas.
Gente, gente, muita gente!
Ai, como essa vida na cidade grande cansa!
quarta-feira, julho 02, 2008
Era Digital
- Caramba, minhas lentes estão acabando, será que dá para comprar pela web?
Uma visita ao pai Google, procura daqui, procura dali, e...Sim, lentes iguaizinhas as minhas e entrega em casa.
Mas será que dá para confiar?
MMM....Vamos checar os comentários de quem já comprou nessa loja: “Ótimo serviço!”, “Atendimento atencioso”, “Chegou rapidinho”.
Parece bom! Mais barato do que pago na clínica da minha oftalmo e ainda parcela no cartão de crédito?! Fechou!!
Lá vou eu fazer meu cadastro, nome completo, endereço, senha...oops, erro na página. Onde está o “Fale Conosco” desse treco? Ah, aqui!
- Oi, estou tentando fazer meu cadastro, mas está dando erro.
- Ah, coloca uma senha pequena, porque mudei a página estes dias e por algum motivo está dando erro neste campo, mas a propósito, qual lente você quer que já vou ver se tenho aqui?
Nossa, quanta prontidão!
5 minutos depois pedido realizado, e-mail de confirmação na caixa de entrada.
Dia seguinte.
- Tem uma entrega para o 63 A- fala o porteiro.
Como assim? Menos de 24hs e já chegou?
Desembrulho o pacote e lá estão, minhas lentes queridas!
Depois do internet banking nunca mais soube como é a parte interna de um banco. Quando ouço alguém falar que vai ao banco para pagar uma conta, sempre fico olhando com cara de “ué”. Mas por que diabos as pessoas ainda vão até lá para fazer isso?
É, acho que estou contaminada pela praticidade da Era Digital.
Uma maravilha essa tal de internet.
